AGRONEGÓCIO E O SETOR SUCROALCOOLEIRO EM TEMPOS DE COVID-19

AGRONEGÓCIO E O SETOR SUCROALCOOLEIRO EM TEMPOS DE COVID-19

AGRONEGÓCIO E O SETOR SUCROALCOOLEIRO EM TEMPOS DE COVID-19

Em fevereiro de 2020 o Brasil foi surpreendido com o primeiro caso de Coronavírus confirmado no país pelo Instituto Adolfo Lutz, e, posteriormente, em 11 de março, a OMS - Organização Mundial da Saúde declarou que a epidemia do Covid-19 agora passaria a ser considerada uma pandemia, tendo em vista o número de países atingidos.
 
A propagação do vírus pelo mundo gerou, consequentemente, uma instabilidade econômica enorme. Verificamos nas últimas semanas quedas no preço do petróleo, quedas consecutivas nas bolsas de valores de todo mundo, fechamentos de estabelecimentos comerciais e empresas para atenderem às determinações governamentais de estabelecermos uma quarentena populacional, objetivando a diminuição a propagação do vírus.
 
Neste último, quando falamos de quarentena, a opinião se diverge entre governadores, empresários e populares sobre sua eficácia e necessidade ante a crise econômica que o país vem enfrentando nos últimos anos. No entanto, mesmo diante de toda paralisação causada pelo COVID-19, serviços essenciais não podem fechar as portas. Com a população em quarentena nas suas casas, o consumo de diversos produtos aumentou e, dentre eles, obviamente, o de alimentos também.
 
Diante disto, o setor do agronegócio ganha destaque em meio à crise dado seu caráter essencial para a subsistência humana, fornecendo alimentos para toda a população, além de representar peça fundamental para a manutenção da economia Brasileira, uma vez que em 2019, segundo informações divulgadas pela CEPEA, o PIB do agronegócio representou 21,4% de todo o PIB brasileiro, o que consolida sua importância em um momento tão delicado como este para o Brasil e o mundo.
 
Através de um boletim publicado no dia 21 de março, pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), têm-se uma breve analise do reflexo da pandemia no setor do agronegócio.
 
Em um primeiro momento, no meio do mês de março (11.03.2020), logo após a OMS declarar a pandemia do SARS-CoV-2 (COVID-19), com reflexo de inúmeras decisões emergenciais diante da crise internacional, as commodities como soja, café e açúcar foram fortemente impactadas com a queda de seus preços nos mercados internacionais.
Já em abril, com a leve retomada do consumo e uma leve adaptação da maioria dos países com a nova situação econômica da pandemia, podemos observar uma melhora no cenário com a valorização do preço das commodities citadas acima, reforçando mais uma vez a importância do agronegócio para a economia dos países em um momento delicado como este.
 
Abaixo vemos uma tabela contendo um compilado de preços do açúcar, café e soja no mercado brasileiro. As cotações foram obtidas diretamente do sítio eletrônico da ESALQ/USP (https://www.cepea.esalq.usp.br/br/) e equivalem aos preços de comercialização à vista das citadas commodities:
 
Commoditie Cotação 11/02/20 Cotação 12/03/20 Cotação 16/03/20 Cotação 13/04/20 Unidade de medida
Açúcar R$ 77,06 R$ 79,79 R$ 78,39 R$ 79,18 R$/saca de 50kg
Café R$ 467,40 R$ 544,55 R$ 543,26 R$ 584,78 Reais por saca de 60 kg líquido
Soja R$ 87,31 R$ 93,23 R$ 93,18 R$ 101,44 Reais por saca de 60 kg
 
 
Levando-se em consideração que a pandemia fora decretada pela OMS no dia 11/03/2020, da análise da tabela acima podemos perceber uma leve queda no preço dos produtos relacionados no intervalo compreendido entre os dias 12/03 a 16/03, seguido pela valorização de todos os produtos citados na próxima data (13/04).
 
Essa leve queda inicial se deu pelo impacto que a notícia da pandemia trouxe ao mundo, contudo, já nos dias subsequentes ao decreto da pandemia, face ao medo do desabastecimento, o mercado internacional viu a necessidade de importar mais alimentos, e dentre eles as commodities destacadas o que levou às suas respectivas valorizações. Essa tendência de alta segue até os dias de hoje.
 
Em relação ao setor sucroalcooleiro, os impactos ainda estão por ser medidos e, para isso, devemos levar em consideração algumas situações que estão ocorrendo no mercado internacional, tais como a queda do preço do petróleo, alta do dólar, impacto do Coronavírus na economia mundial, dentre outras.
 
Quanto ao açúcar, o que se sabe até agora é que, com a diminuição da produção de açúcar pela Índia, haverá uma valorização no preço do açúcar brasileiro – fato esse comprovado pela tabela das commodities retro exposta - indicando que por aqui a safra desse ano será mais açucareira que alcooleira.
Inclusive, mídias especializadas já estão divulgando informações nesse sentido: “A produção de açúcar 2019/2020 na Índia alcançou 23,274 milhões de toneladas no período de 1º de outubro a 31 de março, os primeiros seis meses da safra do país, que termina em 30 de setembro. Segundo boletim de acompanhamento da Associação Indiana das Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês), o volume é 21,58% inferior ao total de 29,682 milhões de toneladas produzido em igual período de 2018/2019. Segundo a Isma, 186 usinas processaram cana-de-açúcar até o final de março, sendo a maioria delas no norte da Índia, ante 240 unidades em produção um ano antes. ” (Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br/producao-de-acucar-da-india-cai-21-nos-primeiros-6-meses-da-safra-diz-isma/)
 
Noutro ponto, quanto ao Etanol, com a crise do coronavirus, as medidas de isolamento social e a consequente diminuição expressiva da mobilidade e dos deslocamentos, houve significativa redução no consumo do combustível, o que gerará, pela lei da oferta e da procura, queda no seu preço. Inclusive várias distribuidoras de combustíveis já estão suspendendo, renegociando e prorrogando contratos com usinas produtoras de etanol.
 
Dessa forma, apesar de todo esse cenário de incertezas que vivemos e viveremos nos meses e anos que se sucederem, ainda existe luz no fim do túnel, o setor sucroalcooleiro não deve desanimar, pois, é mais do que claro que o que guiará o Brasil para fora dessa terrível crise é o agronegócio com sua pujança, garra e determinação, movendo as engrenagens desse nosso País sempre à diante. Força Brasil!
 
Juliano Bortoloti
Advogado
 
Rafael da Costa Silva                                        
Advogado            

Diego Henrique Rossaneis                                                     
Advogado